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ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS SOCIAIS: CASAMENTO


O cerimonial já existia nas antigas civilizações. Suas características variavam de acordo com os costumes de cada povo e aprimorou-se de acordo com a evolução histórica e política do Brasil. Não se sabe bem a época, mas é sabido que é uma atividade antiga e que, certamente, tenha surgido da busca da perfeição em todo e qualquer tipo de evento. Por isso, a figura do administrador de evento, chamado cerimonial torna-se cada vez mais necessária em nossa sociedade.

Até há pouco tempo, a produção de eventos era feita de forma artesanal, não seguindo metodologia específica que garantisse o sucesso almejado, tanto pelos produtores / organizadores como pelos clientes que contratavam os serviços.

Os eventos expandiram e se tornaram mais complexos. E foi nesse contexto que surgiu o Cerimonial Social. Inicialmente, teve que mostrar com afinco a sua importância, o que não foi fácil, mas a comodidade do cliente passou a falar mais alto. Hoje, a sociedade não consegue imaginar um evento senão com a sua presença. E isso não é somente privilégio da alta sociedade, é estendido também ao público de nível social menos favorecido. Esta atividade vem crescendo devido às inúmeras opções de eventos sociais em que este profissional pode atuar, tais como: noivado, chá-de-panela, bodas, batizado, aniversário, 15 anos, debbut, baile de formatura,  primeira comunhão, etc...
O cerimonial é contratado para assessorar o cliente em tudo que envolve o evento, inclusive na parte burocrática, sendo antes de tudo, solução de problemas. Nesse momento, passa a ser portador de um “sonho”. O dia chega. Os convidados entram no salão orientados por recepcionistas qualificadas, deslumbram-se com o salão bem decorado, com um bom som ambiente, um coral extremamente afinado e harmonioso, uma mesa de bolo e bombons muito bem decorada e saborosa, um cardápio muito bem escolhido, bebidas finas, as mudanças no layout do salão praticamente transformando-o, as mesas dos convivas perfeitamente montadas com suas pratarias, porcelanas, taças, guardanapos e enfeites. Isso é, na verdade, o sonho realizado, com base em um planejamento feito pelo Cerimonial que tem como finalidade buscar o sucesso do evento, minimizar erros, facilitando na orientação e coordenação da equipe de profissionais envolvida.

Gerenciar um evento é uma excitante atividade administrativa quando se conduz um correto concerto de centenas de pormenores que devem surgir em harmonia e em ritmo correto. O que diferencia um evento medíocre de um acontecimento brilhante não está no custo e sim na forma como se consegue o equilíbrio entre a criatividade, o bom gosto e a precisão de seu gerenciamento.

HISTÓRIA DO CERIMONIAL
O Cerimonial se define através de um percurso histórico desde seu aparecimento, há 40.000 anos  até os dias de hoje. O Cerimonial surge e se faz presente em todas as manifestações de arte e literatura da história.

No Brasil, o cerimonial público se processou em três etapas. Na época colonial, as condições privilegiadas em que se instaurou o ciclo do açúcar em Pernambuco, região de maior produção agrícola e industrial do mundo, permitindo que as normas do cerimonial se sobrepusessem às leis e aos tribunais.

No segundo período, o do império, vigorou o protocolo francês como em todas as cortes européias, com as influências austro-alemãs que trouxeram as duas esposas de Dom Pedro I, dona Leopoldina de Beauharnais de Lorraine e dona Amélia de Leuchtenberg.
Nas cortes européias, o francês era a língua usual e também na sociedade carioca, falado inclusive nas lojas mais elegantes, nos teatros, nas confeitarias e nos lares cariocas da alta sociedade, principalmente na hora do chá, erigindo-se em traços de distinção e refinamento cultural.

A terceira etapa da história de nosso cerimonial marca a ruptura violenta entre o Império e a República. A Corte era centro do cerimonial de estado, imperial e cortesão; a Marinha era o padrão do cerimonial militar, aristocrático e de raízes britânicas; a igreja católica, o centro do cerimonial religioso.

A República aboliu a Corte e entrou em conflito com a Marinha que culminou no massacre da Escola Naval e na sublevação da Armada. Os Presidentes militares e civis tinham origem numa burguesia provinciana e pouco sabiam de cerimonial. A única instituição que herdara o cerimonial Imperial era o Ministério das Relações Exteriores ou Negócios Estrangeiros e, a partir daí, por décadas e décadas, o Itamaraty exerceu o monopólio do cerimonial diplomático e palaciano. Desde então, as várias personalidades diplomáticas oriundas da monarquia introduziam regras e precedentes britânicos.

No retrospecto histórico do cerimonial, é notória a distância entre o alto poder supremo representado pelos sacerdotes, juízes e reis em relação ao público que não tem acesso a esse território de poder. E é por isso que muitas pessoas julgam que o cerimonial é um fenômeno de alta sociedade, de grupos fechados, de privilégio de origem fidalga. Ainda hoje, isso é muito bem representado pela sociedade aristocrática carioca em relação à nova sociedade emergente, considerada “sem berço”.

A atual sociedade é produto de toda essa evolução histórica, muito bem explicada pelo Embaixador Augusto Estelita Lins. Hoje, o cerimonial, principalmente o cerimonial social, enfoque do presente trabalho, atende a todas as classes sociais, sendo necessária a, sua, presença no planejamento, organização e execução de qualquer tipo de evento, no de nível simples, elegante, requintado e de gala.

POSTURA E ELEGÂNCIA
A busca de ritos nos atos de apresentação pessoal e social faz com que as pessoas se tornem cada vez mais atentas. Hoje, a competência e o fato de ser bom no que se faz não é suficiente para o sucesso profissional. É preciso concentrar esforços no investimento da própria imagem, considerando que os relacionamentos profissionais e sociais projetam sempre a nossa imagem e que o cliente quer ter a certeza de que estará sendo atendido por um profissional bem sucedido. É necessário, portanto, pesar sobre esta questão e apurar o que ficará melhor para compor essa imagem.

O cerimonial é visto, a todo momento, por várias pessoas e essas dão referências, positivas ou negativas. Atualmente, o sistema empresarial e a sociedade cedem espaço a uma política mais informal em que o bom relacionamento entre as pessoas é fator decisivo e faz parte da chamada qualidade total. É justamente aí que as boas maneiras e a postura tornam-se imprescindíveis. Assim adequar a imagem física e comportamental à atividade de cerimonial, buscando um estilo voltado para discrição é a essência que se deve buscar. É claro que não falamos só da roupa, pois sabemos que é a segunda pele, “modas passam e elegâncias ficam.” É necessário cultivar boas maneiras e bons costumes, mostrar-se impecável em cada ato da vida, com atitudes simpáticas, seguras e discretas. A imagem profissional construída com inteligência e charme ajuda na comunicação com o outro, incorporando confiança, e não se trata só de vaidade, mas de uma questão de sobrevivência. Portanto, desenvolver positivamente a própria imagem tornou-se uma técnica que pertence à etiqueta profissional e ao marketing pessoal. Não há pessoas nem entidades sérias que não pretendam conseguir desempenhos que as valorizem, promovam e as reconheçam. Mesmo na informalidade, o profissional inteligente tende a mostrar-se sempre educado e cada vez mais sociável, pois estas duas qualidades integram o leque das virtudes humanas.

ORGANIZÇÃO DE UM EVENTO SOCIAL: CASAMENTO

PELO CONTRATANTE:
Definir lista dos convidados.
Definir data e hora.
Contratar assessoria (cerimonial).

PELO CONTRATANTE JUNTO AO CERIMONIAL
- Definir espaço físico.
- Definir a cerimônia.
- Contratar buffet e orientar cardápio.
- Verificar igreja quanto à data e horário e se há outros casamentos para o mesmo dia.
- Checar agenda do salão de festa.
- Orientar os noivos quanto ao curso de noivos e documentação do cartório.
- Orientar os noivos quanto à escolha e subscrição dos convites, e quanto ao momento de sua entrega.
- Orientar na escolha da decoração da igreja; caso haja outras cerimônias na mesma data, discutir a decoração.
- Orientar quanto ao estilo e cor da decoração do salão de festas.
- Orientar na escolha do coral para igreja e escolha das músicas.
- Orientar quanto ao contrato de som mecânico.
- Pagar a taxa do ECAD.
- Orientar na escolha do fotógrafo e cinegrafista.
- Orientar na contratação da mesa de bolo e bombons.
- Orientar na escolha das lembranças para as madrinhas.
- Orientar na escolha ou confecção do vestido da noiva, tiara, véu e brincos.
- Orientar na escolha do local para se confeccionar o par de sapatos.
- Orientar na escolha do bouquet, indicar salão de beleza.
- Ajudar a definir o traje das damas e pajens.
- Orientar quanto à locação do carro para noiva.
- Orientar quanto à vestimenta do noivo e pais.
- Orientar os noivos quanto à vestimenta dos padrinhos.
- Indicar salão de beleza masculino para noivo e pais.

PLANEJAMENTO: Qualquer recepção que se promova reúne um grupo de pessoas relativamente homogêneo, levando-se em conta, além do número de convivas, sexo, idade e posição social. É necessário que fique claro o objetivo do evento. No caso de planejamento de um casamento, é de suma importância fazer o levantamento de algumas informações junto ao cliente, e, a partir daí, diversas questões serão formuladas para se definirem todos os detalhes do evento que será preparado etapa por etapa.

ORÇAMENTO: Ao ser contatado, normalmente as primeiras perguntas do cliente são quanto a por onde começar, quem contratar e de quanto terá que dispor. Deve-se fazer uma análise detalhada junto ao contratante e feitas as indagações necessárias, é bom se ter em mente um orçamento pré-estabelecido, a fim de facilitar seu estudo, pois em grande parte, é ele que vai determinar o estilo do evento e quanto o cliente poderá gastar.  

PROJETO: As partes envolvidas devem estar de acordo com todos os preparativos para que sejam inseridos no projeto os detalhes peculiares a cada cliente. Deve-se ter em mente que cada evento deverá prestigiar principalmente o cliente perante os convivas, que deverão levar a melhor imagem da festa, cujo projeto está condicionado ao estilo da cerimônia que se pretende e às circunstâncias, tais como férias, feriados, inverno, verão, a quantidade de pessoas  etc.. Iniciando pela igreja e o salão da recepção, deve-se observar a distância entre um e outro, a funcionalidade, conforto, segurança, beleza etc. Faz parte desse projeto cuidar da imagem do cliente, que, muitas vezes, empolga-se com certos detalhes e se expõe alvo de critica. Sonhar com o cliente é necessário, ajudá-lo na realização desse sonho é a proposta, porém devem-se ter os pés no chão, estar preparado para contornar qualquer situação e ter sutileza para trocar o “não pode”, por “você acha” é fundamental. Não é nada fácil trabalhar com os sonhos e a vaidade humana, não podemos transformar em pesadelo e frustração todo esse projeto idealizado. O casamento é um evento de grande expressão social e afetiva, que necessita do cumprimento de um longo e requintado cerimonial, que compreende muitas atividades que deverão ser descritas em um cronograma.

EXECUÇÃO: Estando o projeto e orçamento aprovados pelo cliente, o cerimonial delega responsabilidades a todos os profissionais contratados, seguindo-se as prioridades, pois, a partir daí, trata-se de uma grande equipe com o mesmo objetivo, o que demanda organização e bom relacionamento. E, finalmente, chega o grande dia, a agitação é total, os pais recebem os amigos e familiares que chegam de fora, presentes chegam a todo o momento, os noivos aflitos com última prova de roupa, o cuidado com o salão de beleza, onde cada um tem o desejo de se tornar mais bonito, o cerimonial se redobra de cuidados, ligando para os padrinhos afim de deixá-los informados quanto ao horário de chegada na igreja. Com três dias de antecedência, ensaiar o cortejo com noivos, pais, damas e pajens, com a programação previamente combinada com os noivos.  Repassar com cada profissional contratado, todos os detalhes combinados e citados no contrato. O cerimonial deve ter em mãos, o chek list que, com certeza, irá auxiliar na checagem para que não fique nenhum detalhe esquecido. Para finalizar o que foi começado e alcançar o objetivo desejado, é preciso ser determinado, perseverante e realizar o trabalho com prazer, o que faz com que as relações sejam mais humanas e produtivas, criando assim um ambiente agradável. Não devemos nos esquecer de agir com amor para que o cliente sinta que se está fazendo o trabalho prazerosamente, pois afinal o amor é a grande energia que move a relação entre as pessoas.

COSTUMES DIFERENTES
Todas as etapas importantes da vida humana - desde o nascimento até a morte - têm suas próprias tradições nas diferentes culturas e países do mundo. É um acontecimento marcado por tantos e tão variados rituais:

MATRIMÔNIO CATÓLICO REGIONAL: É um ritual que privilegia a celebração da palavra (celebração do matrimônio sem missa). É a forma mais utilizada nas comunidades eclesiais do Brasil. Observando os costumes e tradições de cada região, optamos por aprofundar mais em nossos costumes. São entradas personalizadas. Cada profissional deve seguir na íntegra as normas impostas, caso contrário, não poderá mais trabalhar naquela igreja; existem até as que credenciam os profissionais. Não é permitido decoração suntuosa, as músicas devem ser Sacras e Eruditas e analisadas anteriormente pela igreja. A pontualidade deve ser cumprida com rigor, apesar de a igreja agendar três casamentos  para o mesmo dia, com intervalo de  quinze minutos entre um e outro. Quanto ao cortejo, são permitidas duas entradas cabe a cada profissional usar a criatividade.

CORTEJO DE ENTRADA: O noivo entra com a mãe, conduzindo-a com seu braço esquerdo. No altar, o noivo troca de lugar com a mãe, dando à mesma o braço direito. O pai do noivo entra com a mãe da noiva e se posicionam no altar do lado esquerdo de quem entra. Os padrinhos da noiva se acomodam nas primeiras fileiras dos bancos do lado esquerdo de quem entra na igreja. Os padrinhos da noiva se acomodam do lado direito de quem entra. Pode-se também fazer uma fila intercalada, iniciando-se sempre por um casal de padrinhos da noiva; ao final da nave, irá um casal para a esquerda e outro para a direita. As damas ficam do lado da noiva e o pajem, do lado do noivo. Finalmente, entra a noiva do lado direito do pai. Se houver dama moça, esta deverá abrir o cortejo geral.

CORTEJO DE SAÍDA: Os nubentes, damas e pajens, pais da noiva, pais do noivo e respectivos padrinhos tiver sido em fila intercalada, a saída será da mesma forma.

CERIMÔNIA BUDISTA: A religião budista é praticada no Brasil desde o início do século. O ritual se realiza com muita pompa, no altar, em três níveis, as velas vermelhas representando a alegria dos noivos e a queima de incenso, a gratidão e a espiritualidade. A cerimônia é oficializada por um monge principal e dois auxiliares, com uma prece em japonês ou a bênção com aspersão de água sobre os noivos.

CERIMÔNIA JUDAICA: No ritual judaico, o serviço tem início com a bênção do vinho, em hebraico e aramaico. Bebendo o vinho juntos os noivos demonstram estar juntos na alegria e tristeza. É montada uma tenda, conhecida como “hupa”. São quatro hastes sustentando uma faixa de tecido, ou o talil, xale de oração que simboliza o novo lar. A aparência despojada mostra que o casal terá que construir o novo lar com solidez interior. Dá-se preferência à realização da cerimônia ao ar livre, em contato com a natureza.

CERIMÔNIA PROTESTANTE E EVANGÉLICA: A cerimônia tem início com um grande cortejo, que inclui o pastor e a esposa. São proferidas uma oração e a leitura bíblica seguida de uma longa explanação. Muita música e partilha da ceia. Enfim, todas as cerimônias das religiões cristãs são muito semelhantes entre si, e a evangélica não é exceção.   

CERIMÔNIA MESSIÂNICA: É celebrada pelo chefe do cerimonial, um ministro ou dirigente escolhido pelos noivos, e conta com a participação de vários oficiantes. São eles que levam até o altar as oferendas, produtos manufaturados pelo homem e elementos da natureza. Em recipiente especial, denominado “sambo”, a água (simboliza o céu), arroz (representa o solo) e o sal (simboliza o mar).

CERIMÔNIA MÓRMON: Para os mórmons, o casamento é eterno e sagrado. O ritual é secreto celebrado apenas pelo oficiante e noivos, a presença dos pais e irmãos só é permitida desde que sejam membros da igreja. No templo, o casamento é realizado por um bispo, ou membro da igreja.

CERIMÔNIA ORTODOXA: O misticismo da trindade é lembrado ao longo de todo o ritual. Após o ritual de troca de alianças, estas são bentas três vezes pelo oficiante. O oficiante toma os noivos pela mão e os faz dar três voltas em torno da mesa onde estão a bíblia, um crucifixo, o cálice com o vinho, as velas e as flores. É colocada uma coroa de ouro sobre a cabeça dos noivos, que seguram os castiçais com as velas acesas, simbolizando a luz do Senhor.
             
Os eventos estão cada vez mais sofisticados, os clientes mais exigentes e consequentemente, o Cerimonial cada vez mais atuante. Logo, organizar eventos não se resume ao simples ato de agendar dias e horários, encaixar e aproveitar tempos livres, mas, sim, dar corpo e vida a uma ideia através de uma metodologia apropriada e cumprimento de cronograma previamente ajustado, buscando-se, a realização do evento com sucesso e posterior reconhecimento.

Sucesso é o que todos desejamos. Consegui-lo, entretanto, só depende da capacidade, inteligência, força de vontade e trabalho de cada um. A organização de eventos não é uma mera produção mecânica, sem reflexão, criatividade e profissionalismo. É, antes de tudo, uma arte, por decorrer da criatividade e sensibilidade humana, da busca de se produzir com perfeição o que o outro deseja, nascendo da vontade do organizador e do cliente, de suprir outras pessoas de novos conhecimentos, ideias ou simplesmente ser motivo de confraternização.

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Bragança, Pará, Brazil
ANDREZA SAMPAIO: Concluinte do curso Técnico em Eventos pelo IFPA; concluinte do curso de Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú.